sexta-feira, 14 de maio de 2010

Motivo/ Cecília Meirelles

Motivo

Cecília Meirelles


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.


Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Tu tens um medo/ Cecília Meireles

Tu tens um medo
Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Tudo o que faço ou medito/ Fernando Pessoa

Tudo o que faço ou medito

Fernando Pessoa

Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ser Mãe/ Mara chan





















Ser Mãe

Deixei a natureza transformar-me
Com todas suas leis
Tive o prazer de sentir um bebê no meu ventre
Chorei na maternidade,
Troquei fralda,
Passei noites acordada,
Desfrutei a sensação de amamentar,
Ensinei a comer,
Ensinei a andar,
Chorei no primeiro dia de escolinha
Talvez tenha deixado algumas pessoas de lado,
Talvez não tivesse tempo para dar atenção para as amigas
Pode ser que me relaxei um pouco com minha aparência
Ou quem sabe não tive nem tempo para pensar nisso
Pode ser que deixei alguns projetos pela metade
Ou talvez porque não conciliava com meu horário familiar
Momento algum joguei nada para o alto
Na verdade segurei com as duas mãos
Tudo o que vi cair do céu
Porém permiti
A mão de Deus me tocar
Para ser uma verdadeira mãe

Mara Chan

Mãe/ autor?

MÃE

Mãe é como árvore, já repararam?
É acolhedora, tranqüila, segura, presa firmemente
ao solo, ao mesmo tempo que espalha, os quatro ventos,
a galharia fresca, a copa verdejante.
Mãe é repouso e sossego.
Quando a gente está cansada, ou triste, ou desiludida,
ou desanimada, ela nos reconforta cobrindo-nos com a sua
sombra e o farfalhar de suas folhas.
O mundo é uma floresta de mães.
Mães novas e mães velhas.
Mães magras e mães gordas.
Mães enrodilhadas de tanto sofrer
Mães na pujança da seiva e do vigor.
Floresta enorme, bem trançadinha de
mil segredos, com riachos, com lagoas, pirilampos,
rouxinóis, pardais e sabiás.
Floresta de mães, trançada com os mil
segredos da ternura e do bem-querer.
A mãe quando morre é uma árvore
que tomba. É uma clareira que se abre. Clareira
batida de Sol, de vento, de tempestade, de mil
medos e temores que inquietam o coração do filho.
Vida de filho sem mãe é solidão e
isolamento.
É saudade doída daquela árvore tão verde,
tão copada, tão fresca.
É vida sozinha
na floresta vazia


Não achei o nome do autor

terça-feira, 4 de maio de 2010

Para Sempre/Carlos Drummond de Andrade




Para Sempre

Carlos Drummond de Andrade

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

domingo, 2 de maio de 2010

Amor aprendiz/Penhah de Castro

Amor Aprendiz...

by Penhah Castro

A noite cai sombria sobre a terra
Trazendo a escuridão no meu quarto
Onde outrora acontecia tanto amor
Abriu-se um grande espaço para a dor...

Uma dor cruel...Uma agonia!
Que na madrugada fria
me deixava orfã de amor...

Não mais se via o horizonte
tingido de vermelho antes da cortina da noite cair...
E, lágrimas incessantes insistiam em cair...
Foi um tempo parecendo infindo
Até surgir um novo alvorecer
Trazendo a esperança a cada entardecer,
deslumbrando os meus olhos úmidos...
Enchendo meu coração de saudade...

Aumentando a capacidade de a verdade perceber...
Desvendando o mistério divino da minha alma...
Aumentando a consciência de um amor abrangente...
Que aprendeu a perdoar e as mágoas esquecer...
Que aprendeu a aceitar sem cobrar...
Aprendeu a confiar na ausência
E, muito desfrutar da presença...

A só chorar de alegria e realizar fantasias...
Aprendeu que depois da noite vem sempre um amanhecer...
E, neste espetáculo contínuo,
É possível viver feliz...
Com um amor renovado, livre, honesto...
Sempre aprendiz...